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17
jun
A Revolução no Parto Normal: EPI-NO
Cenas do filme "O renascimento do parto"

Cena do filme “O renascimento do parto”

Há muito tempo que quero fazer esse post, mas não sabia como abordá-lo. Minha ideia, é falar aqui apenas como mãe, dividir minha experiência, com a simples intenção de ajudar, de informar de uma maneira bem simples, algo que descobri depois de pesquisar, e que pode pode mudar o seu jeito de encarar o parto normal, pois mudou o meu.

Não quero de maneira alguma ofender, julgar ou causar qualquer desconforto em mães que tem opiniões diferentes das minhas. Até porque eu não sou melhor do que você ou nenhuma outra mãe, ok?! ♥

 

Episio… o quê?

Desde que engravidei pela 1ª vez, meu desejo era ter um parto normal. Mas, confesso que a episiotomia era o meu maior pesadelo. Sabe aquele corte que se faz “lá embaixo” em grande parte dos partos normais? Esse mesmo!

Tinha medo das consequências dele. Já tinha ouvido alguns histórias de amigas que tiveram muitas dificuldades no pós-parto, desde dificuldade para sentar (o que atrapalha e muito na amamentação) até a perda de sensibilidade na vida sexual. Quem nunca ouviu que o parto normal “estraga o playground” ou “alarga a vagina”? Eu sei, essas expressões são horríveis, mas esse mito existe e eu confesso que me assombrava.

Claro, que apesar desse meu medo existir, meu desejo pelo parto normal era maior. E felizmente eu percebi, depois de conhecer o parto natural, que a episiotomia não era obrigatória.

Acontece que antigamente, esse corte era comum. A justificativa era que o nascimento do bebê provocaria uma laceração generalizada do períneo materno e que seria muito mais fácil cicatrizar cortes retos e planejados. Porém, desde a década de 70, estudos clínicos começaram a questionar o uso rotineiro do procedimento. 

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Atualmente

Hoje, já se sabe não apenas da inexistência de evidências científicas que comprovem a eficácia desse corte, mas também dos riscos que essa prática expõe às mulheres: dor perineal, edema, maior risco de infecção, hematoma e dispareunia (dor na relação sexual). Sem falar que dependendo do caso, pode nem haver laceração pela expulsão do bebê.

Segundo a Dra. Márcia da Costa, “a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de restringir o uso da técnica para que as taxas não ultrapassem os 10%, nos casos realmente necessários, em que o períneo estiver muito tenso, dificultando a saída do bebê, ou quando o recém-nascido está em risco de morte, o que indica que é necessário retirá-lo do canal de parto rapidamente”. Infelizmente, no Brasil a episiotomia ainda é feita rotineiramente, chegando a quase 90% dos partos normais.

Para a médica Dra. Melania Amorim, uma das principais referências brasileiras na luta pela humanização do parto, pós-doutorada em Ginecologia e Obstetrícia na Unicamp, em Saúde Reprodutiva na Organização Mundial de Saúde (OMS), em Genebra, essa alta taxa de episiotomia no Brasil se deve pois “parte dos médicos pode desconhecer, outra parte está tão acostumada a fazer dessa maneira (com episiotomia) que não sabe fazer de outra forma, é como se a mão fosse sozinha. É difícil se desvencilhar de velhas práticas. Temos também o discurso daqueles que se baseiam na onipotência médica do ‘faço assim há 30 anos e sempre deu certo’ e na crença de que o corpo da mulher é essencialmente defeituoso e depende da intervenção médica para parir”, enumera.

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Revolução

Se você não quer que façam a episiotomia em você (só se for realmente necessário, claro!), o importante é escolher um obstetra que esteja de acordo com sua opção (eu indicaria algum da linha do parto humanizado). E se você também quer evitar lacerações, você precisa preparar o seu corpo para o parto.

Como isso é possível??

Aqui vem a revolução: existe uma técnica de preparo do assoalho pélvico por meio de um equipamento chamado EPI-NO (o nome significa “episiotomia não”), que aumenta a abertura vaginal por meio de um treinamento muscular na região pélvica e com isso, diminui em até 5x a chance de qualquer laceração na região.

“Há vários anos tenho estimulado as gestantes a utilizar o EPI-NO devido aos excelentes resultados quanto à manutenção da integridade perineal e vaginal no pós-parto.” Dr. Jorge Kuhn, obstetra da Casa Moara/SP e da UNIFESP.

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O que é o EPI-NO?

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EPI-NO é um balão em silicone, conectado a um medidor de pressão através de um tubo em silicone, com bomba em elastômero termoplástico e válvula de liberação de ar. Em outras palavras, trata-se de uma pequena “pera” de látex que deve ser introduzida na vagina e insuflada até o limite que a gestante suportar (sempre aos pouquinhos). Depois, é só retirá-la devagarinho.

Além de fortalecer e aumentar a flexibilidade da musculatura vaginal e do períneo e, consequentemente, auxiliar na prevenção da episiotomia, o EPI-NO também ajuda na prevenção de problemas futuros relacionados ao relaxamento desta musculatura, tais como cistocele (queda de bexiga) e incontinência urinária (perda de urina), rompimento do períneo, dentre outras.

Ele é fabricado na Alemanha e é vendido em diversos países da Europa, Austrália, Canadá, África do Sul e no Brasil (R$ 789,90).

De acordo com Miriam Zanetti, fisioterapeuta especializada em reabilitação do assoalho pélvico, o dispositivo pode ser usado diariamente, a partir da 34ª semana de gestação. Apenas alguns minutinhos por dia já são suficientes para alongar a musculatura.

A lógica é: quanto mais você treinar, maior é o alongamento, e com isso, menor é a chance de alguma laceração no períneo.

Na minha 2ª gestação, eu me preparei fazendo esses exercícios e para dizer a verdade, eles não são nada “legais” ou “gostosos” de fazer. Primeiro, porque eu tinha muita vergonha de fazê-los com a fisioterapeuta (besteira, eu sei…) e depois, porque são bem incômodos. Afinal, estamos trabalhando uma musculatura que não é acionada, então é como se fossemos pela 1ª vez na academia… Mas, para mim, só pelo fato de não haver a episiotomia e diminuir absurdamente a chance de qualquer laceração, esse desconforto valia muito a pena!

Infelizmente o meu tão desejado parto natural acabou virando uma cesárea necessária aos 8cm de dilatação, devido a uma suspeita de ruptura uterina, por conta de uma cesárea prévia. Fiquei chateada? Sim. Achei que toda a minha preparação foi inútil? Não. Eu fiz a minha parte, fiz o que estava ao meu alcance e faria tudo novamente.

 

 

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Alguns relatos de mães que usaram EPI-NO:

 

♥ “Eu fiz os exercícios com EPI-NO na minha gestação e foi muito bom. Meu filho nasceu com 53 cm e 4,130 e não tive laceração.”

Veridiana – mãe do Gael

 

♥ “Tive gemêos. E se não fosse o EPI-NO ainda estaria na maternidade me recuperando. Foi uma experiência única. Quero ter mais uma menina.”

Carla Maria – mãe do Lucas e do Gabriel

 

♥ “O João é o meu segundo filho, e puder notar a diferença no conforto que foi para ele nascer após utilizar o EPI-NO. Em meu primeiro parto não usei o EPI-NO porque não o conhecia ainda. Adorei e continuo usando para recuperar e fortalecer a musculatura do assoalho pélvico.”

Ana Maria – mãe do João Pedro

 

♥ “Eu já conhecia o EPI-NO, mas não sabia que ele poderia tornar o nascimento da Ana tão tranquilo. Foi tudo ótimo e minha recuperação está sendo muito tranquila também.”

Juliana Venturi – mãe da Ana Clara

 

!!! Mas, não se esqueça: o uso do EPI-NO requer orientação profissional – seja de um obstetra, seja de um fisioterapeuta especializado, para não correr nenhum risco e evitar fissuras na mucosa vaginal, ok?!!

 

Dra. Miriam Zanetti

Fisioterapeuta

E o que você achou desse post?

Por favor, sinta-se à vontade para compartilhar seu relato de parto, fazer perguntas, enfim, se tem uma coisa que amo, é conversar com vocês. Por isso, não seja tímida, ok?! 😉

Amor & Luz,

LALA ♥

 

Divulgação: O post acima não é patrocinado (publipost/publieditorial). As opiniões e experiências que publico no blog We Love Cherry são verdadeiras e honestas. 


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Comentários

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Patrícia Patrício
18 de junho de 2015 às 10:06

1

Escreva seu comentário… excelente post! serviço de utilidade pública, para orientar as mulheres sobre o procedimento desatualizado e desnecessário que é a episiotomia de rotina (só deve ser usada quando realmente indicado, e não como procedimento generalizado). Fiz o treinamento com o Epi-no a partir de 34 semanas de gestação, e também, desde a vigésima-sétima semana, as massagens perineais, que aprendi no curso de preparação para o parto do Gama. Esses exercícios, somados à prática de yoga, com asanas específicos para o fortalecimento do assoalho pélvico, contribuíram para o parto natural sem nenhuma laceração :)

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19 de junho de 2015 às 12:39

2

Oi Lala, achei muito interessante este relato pois não fazia ideia da existência de tal aparelho. Fiquei com uma dúvida, esse aparelho deve ser comprado ou ele é usado em sessões com um fisioterapeuta? Nunca tive o sonho do parto normal, até mesmo por não fazer parte da nossa cultura mas sempre acreditei que faz parte da natureza da mulher, sendo algo possível mas a prática da episio usado neste tipo de parto me assusta muito ainda mais agora com a mudança na legislação que suspende a cesária eletiva, estou grávida de 29 semanas e o parto é um assunto que me assusta, afinal também nunca passei por uma cirurgia, o que faz com que tanto a cesária, quanto o parto vaginal pareçam assustadores de igual forma. BJS

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Lala Cerri
19 de junho de 2015 às 15:05

3

Oi, Patrícia!
Que demais ler o seu relato!! Muito obrigada de coração!!
Também fiz as massagens perineais e yoga para gestantes, mas esqueci de incluir no post. Muito obrigada por me lembrar!
Espero que você continue acompanhando o blog e nos prestigiando com seus relatos.
Beijão,
LALA

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Lala Cerri
19 de junho de 2015 às 15:10

4

Oi, Marcela!
Muito obrigada! Fico muito feliz com seu depoimento!!
Eu super te entendo e compartilhava o mesmo medo da episiotomia…
Você sabe o que é parto natural? Foi a minha escolha. Se quiser, posso te mandar alguns links sobre o assunto. É só me dizer, ok?
Sobre o EPI-NO, eu comprei o meu aparelho. Mas nas sessões com a fisioterapeuta, dá para usar o aparelho dela com preservativo.
Uma outra opção é alugar o EPI-NO. Conheço muitas pessoas que alugaram e deu tudo certo.
Espero que você continue acompanhando o blog!
Um beijão,
LALA

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21 de junho de 2015 às 22:00

5

Escreva seu comentário… Eu estou me preparando pra guando chegar a minha vez , eu ter um parto normal. Estou com 7 meses , gestação.
Mas… como sempre a mulher consegue passar por esse tipo desafio. Confesso que.. estou com um pouquinho de medo.
Amei o post , bjs em breve falo mais sobre a minha gestação.