janeiro 2017 » We Love Cherry
6
jan
Por que eu tive 3 cesáreas – 3ª Parte

Acho que não tinha post melhor para começar o ano do que esse. :) Aqui fecho um capítulo importante da minha vida. Sofri, refleti e amadureci muito durante todo o processo.

Esse era para ser o ultimo post de uma série de 3 que contei como foram os meus 3 partos e o porquê, mesmo sem desejar, eu tive 3 cesáreas. Mas, a verdade e que ficou tão grande que achei melhor dividir. Abaixo está o relato do parto do David e daqui alguns dias vou postar a minha conclusão depois de 3 cesáreas.

 

Dá para ter parto natural depois de duas cesáreas?

Sempre quis ter 3 filhos. Bella já estava com 5 anos e Nina com 3, Caio também queria mais um, então decidimos “parar de evitar” em janeiro de 2015.

Nesse mesma época viajamos para a Índia e já voltei grávida de lá. Foi tão rápido que nem deu tempo de “tentar um menino” fazendo aqueles truques.

Com 8 semanas fiz o exame de sangue para descobrir o sexo e não é que era um menino?! Nossa, que frio na barriga! Me senti mãe pela 1ª vez de novo. As crianças amaram a novidade!

A gestação foi saudável até a 13ª semana, quando tive um grande sangramento.

Eu estava deitada e quando levantei vi uma enorme poça de sangue na cama. Eu não sabia o que fazer, fiquei desesperada.

Liguei para o meu marido e também para os dois obstetras que conhecia (o que fez o parto da Bella e o que fez o parto da Nina) e para aumentar o meu desespero, cada um falou pra fazer uma coisa: ir para o hospital e ficar deitada.

Liguei para o meu padrasto que é médico urologista e ele disse que era melhor ficar em casa, porque se entrasse num hospital e seguisse todo o protocolo, com exame de toque e etc, eu provavelmente perderia o bebê.

Dentro do meu coração eu sentia que precisava ficar deitada, mas eu também precisava saber o que estava acontecendo. Segui a minha intuição e fui deitada no banco de trás do carro, com meu marido dirigindo até o laboratório que fica há uns 5 minutos de casa e fiz um ultrassom de emergência.

Ouvir os batimentos do bebê foi uma das sensações mais felizes que senti. Parecia a emoção do bebê nascendo… Ele estava bem, mas eu tinha um enorme descolamento de âmnio e corria o risco de perder o bebê. Foi um soco no estômago saber disso.

Conversei com os obstetras (ainda não havia decidido qual faria meu parto) e a divergência de protocolos continuou: um me disse para seguir em repouso e o outro, o do parto humanizado, disse para seguir minha vida normal, sem nenhum repouso, afinal, como mesmo ele disse: se fosse para o feto vingar, ele resistiria ao descolamento sem repouso mesmo.

Eu não quis correr nenhum risco desnecessário e optei por fazer o repouso.

Paralelo ao meu descolamento, recebi a pior notícia da vida. Meu marido foi fazer um exame de rotina e descobriu que estava doente e tinha que fazer uma cirurgia de emergência.

Era o momento mais delicado da vida do meu marido e eu não pude estar ao seu lado no hospital por conta do repouso. Nossa, como foi difícil! Graças a D’us tudo correu bem.

Fiquei de repouso até 30 semanas de gravidez. Fiz o repouso que deu com 2 filhas pequenas (que querem colo especialmente porque você está grávida), meu marido doente e uma funcionária que ameaçava ir embora toda semana. Contei muito com a ajuda da minha família nesse momento.

Apesar de todas as dificuldades, eu não me sentia só, era eu e meu bebê, juntos!

Cada dia que passava e o Caio melhorava e o bebê crescia bem era uma vitória. Dia de ultrassom era um dia tenso até sair o resultado.

Li tudo que pude a respeito do VBACs 2 (parto vaginal após 2 cesáreas). Consultei mais de 6 médicos e 5 deles disseram que parto natural seria muito arriscado para o bebê e para mim, afinal eu já tinha duas cicatrizes de cesáreas prévias e tinha um descolamento de âmnio.

O único que dizia ser viável tentar um parto normal, era o obstetra humanizado que havia feito o parto da minha 2ª filha. E mesmo assim, ele disse que eu correria um risco, afinal não havia nada 100% seguro.

Eu queria MUITO conseguir parir meu bebê, era meu sonho conseguir com que ele chegasse ao mundo da maneira mais natural. Mas, em primeiro lugar sem dúvida vinha a saúde dele e a minha, especialmente depois de todas as dificuldades dessa gestação.

Eu não queria passar pelo susto que passei no 2º parto. Só eu sei o que senti quando o parto natural virou uma cesárea de emergência, com risco para o bebê e para mim.

Mas eu teria que fazer uma escolha, o parto natural e a cesárea seguem caminhos muitos diferentes. Se fosse tentar parto natural, teria que optar pela equipe humanizada, doula, iniciar os exercícios com EPI-NO, meditações, hipnobirthing. Como foi difícil tomar essa decisão.

Lembro de quando tive um clique e tomei a decisão. Foi numa consulta com o obstetra humanizado, quando eu estava perguntando para ele sobre os riscos de uma VBAC2, especialmente após a minha 2ª cesárea que foi de emergência (havia sido feita por ele) e o quanto eu não queria passar por aquele risco novamente e ele me disse que o parto da Nina tinha sido absolutamente normal, sem nenhuma complicação.

Oi?!! Eu vivi aquele desespero, por que negar isso? Como assim? Foi aí que percebi o quanto aquele médico era radical, para não dizer outra coisa… Ficou tudo muito claro, desde o início eu não concordei com o protocolo dele e optei pelo repouso. E tudo estava indo muito bem.

Foi aí que pensei: Larissa, você é uma mulher madura, infelizmente não vai dar para ter o parto dos seus sonhos, mas o que importa não é como o bebê vai chegar e sim se ele vai chegar com saúde. Você já tem 2 filhas, você é responsável por 3 vidas, não dá para correr um risco desnecessário.

Assim, aos 8 meses de gestação eu decidi seguir com uma equipe que indicava a cesárea como forma mais segura.

O meu combinado com o obstetra foi: vamos esperar o bebê dar o sinal que a hora dele nascer chegou, quero entrar em trabalho de parto, não vamos agendar nada. Segui meu coração, era o mínimo que eu poderia fazer pelo meu bebê.

Comecei a sentir as dores das contrações um dia antes do David nascer (a tal da fase latente). Fiquei com contrações não ritmadas por mais de 24 horas, até que começaram a ritmar e quando já estavam bem fortes, de 5 em 5 minutos meu marido me levou para o hospital. (Hoje escrevendo isso me pergunto, será que não me arrisquei esperando tanto? Mas, na hora lembro de estar tão tranquila, tinha uma sensação muito forte que dizia estar fazendo a coisa certa. E eu estava em contato com o obstetra todo o tempo.)

Chegando no hospital, um minuto antes de entrar na sala para cesárea, eu pedi para ver qual era a minha dilatação: apenas 1 dedo de dilatação… E lá fui eu para mais uma cesárea.

Colagem Por que Eu Tive 3 Cesáreas - Parte 3a

Naquele momento passou um filminho de todas as 3 vezes que eu tentei parir e acabei com um corte na barriga. Foi um choro tão triste, me senti tão sozinha.

Chorei por tudo que passei, pelo medo de perder o David, de perder o Caio.

Mas, passou logo, passou assim que ouvi o chorinho do David. E como um sonho estávamos nós 3 juntos, todos cheios de saúde.

colagem-parto-david-2

E se não deu para ser um parto natural, foi uma cesárea humanizada, sem intervenções desnecessárias no bebê. Dessa vez eu sabia dos meus direitos e o que eu queria para o meu filho, então fiz valer meu plano de parto. Eu pude ficar com o David o tempo todo e amamentá-lo logo após seu nascimento. O David nasceu saudável, com 3.500kg e com muita fome.

colagem-david-recem-nascido-maternidade

Imagens: Olivian Moioli

 

O parto do David foi tão especial que no centro cirúrgico estavam nada menos que: meu marido (claro), meu irmão caçula que está fazendo medicina e meu padrasto que é médico. Eu com certeza estava muito bem acompanhada!

Espero de coração que eu possa ter ajudado de alguma forma, assim como tantos relatos de mães me ajudaram durante todo o meu processo, desde a primeira gravidez até hoje.

Um super beijo e um chegada abençoada para o seu bebê! E se você já teve filho, se identificou com as minhas histórias? Deixa um comentário pra gente! 😉

Bjs,

LALÁ


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